"Quando perdemos a capacidade de nos indignarmos com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados." ― Vladimir Herzog

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Painel Paulo Freire, obra de Luiz Carlos Cappellano.

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segunda-feira, 23 de julho de 2018

DCM: Bancário visitou o triplex atribuído a Lula e tirou fotos que comprovam a farsa

Por Joaquim de Carvalho

Manuel Meneses
O bancário aposentado Manuel Meneses, de Salvador, Bahia, fez o que a velha imprensa deveria ter feito: visitou o triplex que Sergio Moro atribui a Lula antes que ele fosse vendido e fez registros em fotos e vídeos. A conclusão dele e de qualquer pessoa honesta que veja as fotos é: o triplex não teve nenhuma reforma digna desse nome.

Manuel Meneses não é filiado a partido político, mas sempre aparece em causas de interesse público na sua região. Também é um homem antenado com as questões de seu tempo. Acaba de voltar de uma viagem à África, onde conheceu pessoas e monumentos que ajudam a contar a história de Nélson Mandela.

Manuel não é rico, se aposentou como funcionário da Caixa, é formado em Direito e Psicologia e aplica seu dinheiro com expedições de interesse histórico. Foi o que viu no caso do triplex e apresentou-se ao leiloeiro como um interessado na compra do imóvel. Fez o depósito de R$ 1.000,00 (reembolsado) e marcou uma visita, às vésperas do encerramento do pregão ordenado pelo juiz Sergio Moro.

Pegou um avião em sua cidade, desceu no aeroporto de Guarulhos. Foi de ônibus até o Guarujá e, na rodoviária, pegou um táxi até o triplex. Para não ter despesa com hotel, marcou a passagem de volta para o mesmo dia. Ao chegar ao triplex, teve que esperar algumas horas porque, apesar do agendamento, não havia ninguém para recebê-lo e abrir a porta do apartamento.

“Eu soube que ninguém tinha visitado o triplex, não havia nenhum interessado. O funcionário do leiloeiro abriu a porta e me deixou sozinho no apartamento. Eu tive tempo para olhar à vontade e vi que não era nada daquilo que a imprensa escrevia, sem mostrar, apenas dizia o que os procuradores falavam. Uma farsa”, afirma.

Para começar, o elevador. “Quando se falava em elevador privativo, imaginava que fosse algo que levasse da garagem ao apartamento, mas não. É um elevador que leva de um piso a outro no tal triplex, como esses elevadores para cadeirante. Uma coisa mixuruca, que não custa muito”, disse.

“Vi ainda que o piso que teria sido trocado não é porcelanato de primeira linha, é um piso de segunda linha. Não é o pior, mas também não é o de primeira linha. Fiquei pensando: um ex-presidente pode morar num lugar mais bem arrumado”, destacou. Se a reforma era propina, pensou Manuel, Lula teria que ser o corrupto mais sem-vergonha do planeta.

”Deixaria roubar a Petrobras em troca de algo assim? Não faz sentido”, disse.

Viu ainda no apartamento um fogão velho, uma geladeira, um escritório improvisado, beliches, uma piscina com tamanho de uma banheira — “duas braçadas e você chega de uma ponta a outra”.

Também ficou escandalizado com os armários embutidos. “Tudo madeira compensada, MDF, algo assim, uma porcaria, um “Minha Casa, Minha Vida”, com todo respeito por quem mora no “Minha Casa, Minha Vida”, mas Lula, por ser um líder mundial, poderia ter algo melhor, ainda mais em se tratando, como diz o juiz Moro, propina em troca de contratos milionários da Petrobras. Não faz sentido”, disse ele, com ênfase na expressão “Não faz sentido”.

Para não ter dúvida de que seus olhos não o estavam enganando, soube que havia outro apartamento à venda no condomínio e pediu para ver. Não é um triplex, mas permite concluir, quando comparados, que recebeu reforma. A cozinha tem pastilhas em vermelho e preto, os quartos, com camas, foram decorados. A varanda tem vidros blindex — no triplex da OAS, que Moro atribuiu a Lula, os vidros da varanda são comuns, assim como as estruturas de alumínio.

“Aquilo sim era reforma. O apartamento estava um brinco, muito superior ao que o juiz Moro atribuiu ao ex-presidente da república”, comentou.

Manuel também constatou que o prédio construído pela OAS é simples, com uma academia de ginástica modesta e uma piscina coletiva pequena, que não oferece nenhuma privacidade. Com a popularidade que tem, Lula jamais poderia frequentar um lugar assim.

Manuel voltou para Salvador convicto da farsa e de que não haveria lance para o leilão. “Aquilo não vale 2,2 milhão de reais”, pensou.

Ficou surpreso quando uma pessoa o arrematou e achou estranho. Quando soube que o imóvel tinha sido comprado por um sócio do primo de Geraldo Alckmin, candidato a presidente pelo PSDB, viu a luz amarela acender.

O comprador, citado em escândalos de corrupção em Brasília e dono de uma offshore que aparece no caso de lavagem internacional de dinheiro Panamá Papers, é Fernando Costa Gontijo, proprietário do Jornal de Brasília.

“Quem comprou pode fazer uma reforma de verdade e fazer desaparecer os vestígios da farsa. Por que alguém compraria o imóvel por um valor superior ao que vale? Não faz sentido, a menos que haja outros interesses”, disse.

Pelo sim, pelo não, ficou ainda mas satisfeito por ter feito o registro fotográfico do triplex atribuído ao Lula. 

“O mundo precisa saber que tudo o que foi noticiado pela imprensa é farsa, processo do triplex é farsa. Realizei o trabalho de jornalismo investigativo que o o grupo, que eu chamo GEIVEF – Globo, Época, IstoÉ, Veja, Estadão e Folha — não fez”.

Veja as fotos:
 
 

Agora veja três fotos de um apartamento reformado, no mesmo prédio, sem nenhuma relação com Lula. Não é nada luxuoso, mais muito mais apresentável, evidência de que houve de fato reforma:


As fotos de áreas comuns do condomínio: o elevador pequeno e simples, piscina devassável, vagas na garagem pequenas e apertadas e uma academia bem simples: Lula, por ter sido presidente da república, poderia ter algo melhor:

 

sexta-feira, 20 de julho de 2018

105 dias da injusta prisão do Lula

Por Manoel Paixão
Diante dos últimos acontecimentos, não se pode mais, em hipótese alguma ignorar, o já tão indisfarçável caráter político no encarceramento do Lula. Ainda mais escancarado, quando um juiz de primeira instância deixa de lado suas férias para intervir em uma decisão de um tribunal superior e manter o Lula preso, ou quando uma ministra de um tribunal superior nega, de uma vez só, 143 pedidos de habeas corpus em favor do mesmo, ou quando uma juíza o proíbe de dar entrevistas.

Pelo que estamos vendo, há toda uma ofensiva judicial e também midiática, sem o mínimo de pudor, para manter no cárcere aquele que aparece em todos os cenários como o favorito para a eleição presidencial deste ano.

Para garantir que o Lula assim permaneça e, consequentemente, seja inviabilizada a sua candidatura à Presidência da República, vemos agentes do judiciário – inclusive, de instâncias superiores – sempre de prontidão, agindo de acordo com seus interesses golpistas e/ou interesses pessoais, extrapolando todos os limites legais e constitucionais.
 
A própria relação promíscua, que se dá entre o judiciário e a grande mídia, acaba por expor de maneira gritante as manobras e as ilegalidades praticadas contra o Lula, como por exemplo, a perseguição política e a violação de direitos, sofridas por ele.

Nem precisa dizer o quanto é uma aberração a justificativa, judicialesca e midiática, usada para tanto arbítrio que vêm ocorrendo. 

E lá se vão 105 dias de sua injusta prisão.


quarta-feira, 18 de julho de 2018

GGN: As explosões de Ciro Gomes e o direito à indignação


Ciro Gomes. Foto: Leo Canabarro

O mínimo que se pode dizer de Ciro Gomes é que não tem papas na língua. Mas aos que se escandalizam com alguns rompantes seus, é bom que se indaguem a razão de não se escandalizarem com os motivos que provocaram as explosões.



Uma delas foi em uma entrevista que me concedeu, quando afirmou que se a Polícia Federal invadisse sua casa, ele sendo inocente, seria recebida à bala.



Uma opinião midiática amorfa, bestificada, incapaz de enfrentar o monstro que criou, escandalizou-se com a explosão, e se mantém impassível ante os abusos cometidos por juízes, procuradores e policiais, invadindo os lares das pessoas, sob qualquer pretexto.



Diz o artigo 5º da Constituição Federal:



XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência)



Ora, determinação judicial não é um ato neutro, acima de qualquer julgamento. Há que ser bem fundamentada. Ao poder absoluto de ordenar a invasão de um lar, tem que se contrapor a exigência absoluta de que a medida seja bem fundamentada. No direito penal, é considerado crime o mero fato de uma pessoa invadir o lar de outra, nem que de lá nada leve. E para o juiz que autoriza invasões de domicílio sem justa causa, nada acontece. Há uma banalização do arbítrio.



É o que vem ocorrendo com juízes abusando de suas prerrogativas, exagerando no recurso da prisão cautelar, na autorização para a invasão de casas, sem que haja razões fundamentadas para tal. Ou havia razão para se invadir a residência do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina ou da Universidade Federal de Minas Gerais e humilhá-los, como foi feito?



Os tribunais superiores nada fazem. O Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público menos ainda. No Congresso, um grupo de parlamentares suspeitos e atemorizados não permite avançar uma lei que puna abusos de autoridade.



Restam o quê? As explosões de indignação, ainda que retóricas.



Essa é a pior consequência da falta de respeito aos direitos, de limites à atuação individual dos juízes, procuradores e delegados de polícia.



As Associações de Classe pouco se importam com os abusos individuais, que afetam toda a corporação. Só sabem se manifestar burocraticamente em solidariedade aos membros que incorrem nesses abusos.



O mesmo ocorre nesse segundo episódio, em que uma procuradora estadual de São Paulo denunciou Ciro por “ofensa racial”, por ter taxado de “capitão do mato” um vereador presunçoso, que nada faz em defesa das pessoas da sua cor.



É evidente quem a decisão da procuradora teve intuito meramente político. Interfere nas eleições, ao criminalizar uma crítica que não é racista, participa indevidamente do jogo político – e o MP, hoje em dia, está coalhado de seguidores do MBL – e nada acontece. Se nada acontece, a não ser a defesa corporativa do MPE de São Paulo, quem irá conter os abusos?



Ao afirmar que ninguém pode se considerar acima da Constituição, o que Ciro anunciou foi a intenção de, eleito presidente, aprovar leis que coíbam os abusos.



Será uma medida benvinda, em defesa do futuro da autonomia de juízes, procuradores e delegados, cujas corporações não conseguem sequer exigir dos seus membros o básico: respeito ao poder do qual foram investidor.