"Quando perdemos a capacidade de nos indignarmos com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados." ― Vladimir Herzog

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Painel Paulo Freire, obra de Luiz Carlos Cappellano.

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#PauloFreireMereceRespeito #PatonoDaEducaçãoBrasileira #PauloFreireSempre

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Algumas reflexões sobre a eleição no Brasil

«Estamos todos sós, no coração da terra, transpassados por um raio de sol: e é de improviso noite.» - Salvatore Quasimodo

«O recado que trazem é de amigos,
Mas debaixo o veneno vem coberto;
Que os pensamentos eram de inimigos,
Segundo foi o engano descoberto.
Ó grandes e gravíssimos perigos!
Ó caminho de vida nunca certo:
Que aonde a gente põe sua esperança,
Tenha a vida tão pouca segurança!»

Luis Vaz de Camões, comentário sobre o candidato Jair Bolsonaro - 

(Os Lusíadas, Canto I, estrofes 105/106)

Ao invés de um Presidente da República, o Brasil acaba de eleger um administrador colonial. E como em toda administração colonial, as tarefas do Governo Bolsonaro serão simples:
  1. Supervisionar a transferêrencia, através de privatizações, das riquezas nacionais – recursos naturais como petróleo, minérios, água, etc. – e de  bens públicos – empresas públicas – para a metrópole, no caso o capital financeiro internacional e as grandes corporações privadas.

  2. Garantir a «segurança» na colônia para os interesses da metrópole - o mesmo capital financeiro internacional e as mesmas corporações privadas. Na prática isto significa, por um lado, a criminalização e a perseguição de movimentos sociais e de qualquer tentativa de defesa dos bens públicos e de propriedade pública dos recursos naturais; por outro lado, a imposição, através de fake news e narrativas fake, de um discurso totalitário que legitime esta política econômica de submissão à metrópole, atacando como «socialismo», «comunismo» ou «bolivarianismo» qualquer proposta ou visão econômica alternativa. Não será tolerada nenhuma resistência ou questionamento das privatizações e do controle da esfera pública por interesses privados.
  1. Garantir a supremacia dos direitos da metrópole sobre os direitos – sociais e coletivos – dos cidadãos e instituições da colônia, com a consequente erosão dos direitos humanos, trabalhistas, de leis e instrumentos de proteção ambiental; em resumo, de qualquer obstáculo à expansão predatória do capital.
Dito de outra maneira: o Governo Bolsonaro representa a imposição do novo colonialismo da ordem neoliberal no Brasil. Em Washington, capital internacional do neoliberalismo, deve-se ter festejado muito o resultado destas eleições. Imagino a euforia em Wall Street e a gana com que vão dilacerar o Brasil… Não foi a troco de nada o apoio e os conselhos de Steve Bannon, um dos grandes estrategistas da ordem neoliberal, à campanha de Bolsonaro.

E o fato de o candidato Jair Bolsonaro ter obtido, segundo as pesquisas, muitos votos entre os eleitores com formação universitária, apenas confirmou a minha antiga  convicção de que certos níveis de estupidez só se alcança depois de muito estudo. Não é fácil.

Mas confesso que é duro, muito duro, assistir impotente a esta combinação de mediocridade, vulgaridade e estupidez tomar o país e ser festejada.

A nós, que temos os olhos abertos e que procuramos manter nossa humanidade intacta e nosso espírito desperto, cabe agora a difícil tarefa de seguir em frente e continuar a resistência. Como nos versos do poeta italiano e anti-fascista Salvatore Quasimodo que coloquei na epígrafe a este texto, somos os portadores deste raio de sol que deve se manter brilhando na noite que, de repente, caiu sobre o país. Nossa responsabilidade é ainda maior agora e o espírito deve seguir atento.Busco refúgio e forças na poesia. Lembro-me dos versos de Jorge de Lima, no final de «Invenção de Orfeu»:

               « No momento de crer
                       criando
                    Contra as forças da morte,
                        a fé.
                  No momento de prece,
                      orando
                pela fé que perderam
                     os outros.» 

Estamos neste momento de luta contra as forças da morte. Há que seguir. Muito do futuro depende de nós. 



 

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Meus Parabéns!

Imagem: Mídia Ninja

Seguirei firme na luta contra toda forma de violência e em defesa da democracia!

“Desistir… eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça.”  (Cora Coralina)

Por Manoel Paixão
Como cidadão brasileiro, educador, comunicador, cristão, democrata e progressista, jamais me calarei diante de qualquer forma de injustiça e desrespeito à dignidade humana. Não deixarei nunca de me posicionar contra discursos fascistas, contra toda forma de violência, de opressão, de segregação e de exclusão. Não aceitarei, em hipótese alguma, escola sem pensamento crítico, sem liberdade, sem pluralidade, sem diversidade, sem inclusão. Muito menos, aceitarei qualquer forma de retrocessos aos direitos fundamentais dos cidadãos e ataques às conquistas sociais e trabalhistas. Minhas reflexões e manifestações políticas, minha prática educativa, minhas ideias, minhas formas de indagar, de questionar, de avaliar o mundo a minha volta, minha capacidade de criticar e sugerir, minha forma de enfrentamento às lutas diárias, minha defesa pela democracia, pela liberdade de manifestação do pensamento e pelos direitos humanos, seguem vivas como sempre foram e agora ainda mais firmes.


Primeiro discurso de Bolsonaro como presidente choca jornalistas pela precariedade

'O primeiro discurso de Jair Bolsonaro foi desanimador e que parece que ele continuará em campanha mesmo depois de eleito'
247 - Segundo jornalistas que mantém colunas na grande imprensa, o primeiro discurso de Jair Bolsonaro foi desanimador e que parece que ele continuará em campanha mesmo depois de eleito. Josias de Souza diz: "eu diria que não foi um pronunciamento animador. Começa por contestar a mídia, em vez de fazer uma entrevista coletiva, formal, reunir jornalistas e tal, ele faz uma live pela Internet, quer dizer, parece que ainda está em campanha". 

A reportagem do portal UOL destaca as impressões de diversos colunistas. Josias de Souza continua sua análise, destacando a confusão que Bolsonaro faz com a religião: "em segundo lugar, presidente de um Estado laico, fala de bíblia, de religião, no momento em que ele devia falar para toda a sociedade brasileira e expor os seus planos. Terceiro lugar, não ouvi uma vez a palavra pacificação, conciliação. Ao contrário, contra o socialismo, essa esquerda, quer dizer, o mesmo discurso da campanha. Então, realmente parece que Jair Bolsonaro não ganhou a eleição, ele continua em campanha. É inacreditável esse discurso que a gente acabou de ouvir."

Leonardo Sakamoto, segue na mesma linha, dizendo-se assombrado com a precariedade do discurso de um presidente "é inacreditável! Esse discurso é uma tragédia! Neste momento em que ele tinha tudo para tentar caminhar na direção de uma conciliação, de buscar um discurso, por mais difícil que seja, por conta de tudo que ele falou até agora, mas de colocar acenos aqui e ali, 'vou conversar com a oposição, vou conversar com a sociedade, peço para que todo mundo, neste momento, desarme-se, por favor, respeite o seu colega, respeite a decisão'."

Cláudio Couto, cientista político, diz que Bolsonaro manteve o tom de confrontação mesmo eleito: "continua o discurso bélico, em todos os sentidos, e de uma guerra-santa, e é o mesmo discurso que ele fazia antes. Aquela história de ?laranjeira não dá banana?, ficou claro aqui. Você não pode esperar muito outro resultado de um político que construiu toda a sua trajetória com base na confrontação."

E o filósofo Vladimir Safatle vai direto ao ponto: "catastrófico, como todo o mundo pensou. Eu diria que, bem, esse é o sr. Jair Bolsonaro. Ele deixa muito claramente que não haverá essa ideia de que ele vai moderar um pouco sua posição por estar herdando um país completamente dividido, um nível de acirramento nunca antes visto, uma eleição que deixa como saldo três mortos até agora por questões políticas triviais, no sentido de não foi um atentado político, nada parecido."



Mujica: 'Os únicos derrotados são os que baixam a cabeça'

'Segundo o ex-presidente do Uruguai, é preciso aprender com os erros e recomeçar'

José "Pepe" Mujica
São Paulo – O senador e ex-presidente uruguaio José "Pepe" Mujica repetiu neste domingo (28), acerca do resultado eleitoral no Brasil, que "os únicos derrotados são os que baixam a cabeça, que se resignam com a derrota". Segundo ele, "a vida é uma luta permanente, com avanços e retrocessos". "Não é o fim do mundo", emendou. 

"Portanto, (é preciso) aprender com os erros que cometemos e começar de novo", disse o ex-presidente. "E tampouco achar que quando vencemos tocamos o céu com as mãos e que chegamos a um mundo maravilhoso. Não, apenas subimos um degrau."

Para Mujica, é preciso "ter humildade, do ponto de vista estratégico". Não há derrota definitiva, nem vitória", acrescentou.


58 milhões de eleitores votaram em Bolsonaro, 89 milhões, não

'Número de anulações cresceu 60% em relação ao segundo turno de 2014, quando Dilma (PT) foi eleita presidenta'

Por Brasil de Fato | São Paulo
Jair Bolsonaro venceu as eleições com respaldo de 39,2% dos eleitores aptos a votar / Agência Brasil
Dos 147,3 milhões de eleitores aptos a votar nas eleições 2018, 57,8 milhões escolheram Jair Bolsonaro (PSL) – cerca de 39,2%. Isso significa que 89 milhões, ou 61,8%, não aderiram à candidatura eleita neste domingo (28).

O percentual de votos nulos quebrou um recorde que se mantinha desde o pleito de 1989: 7,4%, um aumento de 60% em relação ao 2º turno entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Roussef (PT), em 2014. O estado que registrou maior número de anulações em 2018 foi Minas Gerais: 10,6%.

Os votos brancos somaram 2,4 milhões, ou 2,1%. Ao todo, 31,3 milhões não compareceram às urnas, o equivalente a 21,3% total de eleitores.

Na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2006, foi registrado o menor índice desde a redemocratização – 16,8% do eleitorado.

O total de brancos e nulos nas eleições de ontem superou os 11 milhões, o equivalente à população de Portugal.

Edição: Daniel Giovanaz


 

Todos juntos, atentos e fortes

(Texto publicado em sua página no Facebook)
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Se eu fosse mulher, negro ou gay, eu estaria com medo. Eu não sou nem mulher, nem negro, nem gay, mas estou com medo. Com medo, mas com coragem – com a coragem que afasta o medo e nos leva a resistir. 

Eu estou com vergonha da classe média e das elites brasileiras, às quais eu pertenço. Elas foram responsáveis pelo golpe parlamentar que foi o impeachment, e agora apoiaram um candidato neofascista que age abertamente contra os direitos humanos e a democracia. Estou com vergonha das elites paulistas que elegeram um governador tão mau quanto é o presidente.


Minha principal preocupação é com o cidadão comum. Seu tempo é sempre difícil. Ele está sendo sempre desrespeitado; seu valor não é reconhecido pelas elites. Mas agora as perspectivas que enfrenta são piores, porque é o próprio presidente eleito que se junta às elites no desprezo por homens e mulheres que são iguais em direitos. 

Em 1985 foi afinal assegurado o sufrágio universal aos brasileiros. A partir dessa data eles contaram com um certo apoio dos políticos, porque estes sabiam que sua reeleição dependia de agirem como intermediários entre as elites e o povo. Agora, com uma vitória de 11 pontos porcentuais sobre o candidato democrático, os políticos se veem liberados para agir apenas em favor dos poderosos. 

Agora não importa que essa vitória tenha se baseado na fraude eleitoral praticada com a remessa de whats’ups em massa com mensagens deliberadamente mentirosas. Em relação a este problema, temos que esperar o pronunciamento da Justiça. Agora o que é importante é que nos mantenhamos juntos, atentos e fortes. Vamos deixá-lo governar, mas precisamos estar juntos para impedir que ele leve adiante sua mensagem de violência.


*Economista, professor, cientista político e ex-ministro da Fazenda.

Vai passar e o fascismo será batido de novo. Esse será nosso melhor momento. Por Kiko Nogueira

O filme “22 de julho”, sobre o julgamento do neonazista Anders Breivik, que matou 77 jovens num acampamento numa ilha na Noruega em 2011, contém uma lição importante.

Arrogante, Breivik se gaba de sua façanha. 

— Outros farão o que comecei, diz ele. 

— E nós os derrotaremos novamente, meus filhos e eu, responde o advogado, que encarna a democracia e o espírito humano. 

A vitória de Jair Bolsonaro é passageira. O fascismo foi derrotado outras vezes. Não vai demorar e não vale a pena esmorecer.

É importante não perder isso de vista. 

A luta está apenas começando. O DCM será uma das trincheiras. Não sairemos daqui.

A última semana representou uma reação espetacular. A vitória de lavada que as hordas bolsonaristas anunciavam virou uma distância de 10 pontos.

A diferença entre Bolsonaro e Haddad no segundo turno foi de 10.758.376 votos, a terceira menor no segundo turno desde o pleito de 1989. 

Collor ganhou de Lula por 4.013.634. Em 2014, Dilma Rousseff superou Aécio Neves em 3.459.963 votos.

Nos válidos, Haddad teve 44,87%, a terceira maior porcentagem de um segundo colocado, atrás apenas de Aécio há quatro anos (48,36%) e Lula em 1989 (46,97%).

Você notou, ao votar, uma rede solidária. Gente que conversava, se abraçava, trocava experiências, torcia. 

Uma recuperação da política como atividade cotidiana, exercida com quem está próximo de nós e que deixamos de enxergar por algum motivo.

Isso não vai se extinguir. E eles não vão resolver na bala. O jogo está apenas começando.

Em 1940, na Batalha da Grã-Bretanha, Churchill fez um de seus discursos memoráveis, dirigindo-se à Força Aérea Real, que tinha menos homens e aviões que os inimigos da Luftwaffe.

“Que nós nos unamos”, disse ele, “para que daqui a mil anos as pessoas digam: ‘Aquele foi seu melhor momento!’”

Foram anos até que o nazismo fosse sobrepujado, mas aconteceu.

Este será nosso melhor momento.

Ninguém solta a mão de ninguém.


 
 

sábado, 27 de outubro de 2018

Eu digo e repito: #EleNão #EleNunca


"Quem pratica a fraude não habitará no meu santuário; o mentiroso não permanecerá
na minha presença." (Salmos 101:7)

Por Manoel Paixão
Meu caro leitor e minha cara leitora, "o futuro do Brasil está em jogo", e essa frase pode até soar repetitiva para você – seja aqui no blog ou em outros meios –, mas nesse momento o que está em jogo em nosso país é a democracia e o processo civilizatório.

Digo isso, porque estamos prestes a ir às urnas neste domingo para o segundo turno dessas eleições, e também porque uma das candidaturas nessa disputa eleitoral, tanto pelas características do candidato quanto pela forma como sua candidatura foi conduzida, demonstram forte tendência para o autoritarismo.

Me refiro à candidatura de Bolsonaro, disseminadora do ódio e da intolerância por toda parte, e propagadora de notícias falsas pelas redes sociais – que é crime eleitoral – contra seus adversários, para enganar os eleitores.

Vale lembrar que Bolsonaro, embora se apresente com o discurso de um candidato fora da velha política, é um político tradicional, mas com uma inexpressiva carreira no Congresso – já são quase 30 anos de vida parlamentar. 

Seu pífio histórico como parlamentar mostra que ele nunca esteve do lado dos interesses do país e do povo brasileiro, inclusive sempre votou contra a classe trabalhadora e os mais pobres. 

Outra, é um candidato que alardeia ser patriota, honesto e cristão, mas na prática não é nada disso. 

Na verdade, demonstra ser um patriota de fachada, que bate continência à bandeira estadunidense, e tem planos de entregar as nossas riquezas naturais – como a Amazônia – e o nosso patrimônio estratégico para o capital estrangeiro.
 
Diz ser cristão, mas seus discursos e manifestações são incompatíveis com os ensinamentos de Jesus Cristo, pois Bolsonaro prega a violência, a tortura, a segregação e a exclusão. Jesus sempre ensinou, entre tantas coisas, o amor, o perdão, a tolerância, a compaixão, a bondade e a paz.

Se autodeclara honesto, mas não abriu mão do auxílio-moradia da Câmara mesmo tendo apartamento em Brasília – que segundo o próprio era usado pra comer gente –, já declarou patrimônio incompatível com sua renda – do período de 2014 a 2016, seu patrimônio dobrou –, nunca conseguiu explicar direito o dinheiro repassado de grandes empresas para ele durante as suas campanhas anteriores, inclusive aparece como beneficiário de caixa 2 na lista de Furnas e da JBS, e agora a denúncia de que empresas estão financiando sua campanha indiretamente contra a candidatura de Fernando Haddad e o PT nas redes sociais. 

Bolsonaro, além de fazer uma campanha sórdida e com enxurradas de mentiras diariamente nas redes sociais, ainda foge dos debates, mesmo tendo sido liberado pelos médicos.

Não podemos nos esquecer, que ele também não entende nada de educação, de cultura, de saúde pública, de políticas sociais e de direitos humanos, de segurança pública, de economia, de soberania nacional, de princípios e valores democráticos, de diplomacia, de respeito, de civilidade, de fraternidade, de humanidade e de um monte de outras coisas. O seu nível de desinformação é mais gritante ainda, quando demonstra não conhecer nem a história e nem a realidade do Brasil.

A eleição de Bolsonaro representa um perigo para o país e para a população brasileira, sem contar que ele não tem a mínima condição de governar o Brasil.

E é, por isso mesmo, que eu digo e repito: #EleNão #EleNunca

Pense nisso antes de votar!