"Quando perdemos a capacidade de nos indignarmos com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados." ― Vladimir Herzog

Obrigado pelo acesso ao nosso blog
!

Painel Paulo Freire, obra de Luiz Carlos Cappellano.

Painel Paulo Freire, obra de Luiz Carlos Cappellano.
#PauloFreireMereceRespeito #PatonoDaEducaçãoBrasileira #PauloFreireSempre

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

#PeloFimDaImpunidade: mandante de assassinato de ambientalistas é condenado a 60 anos de prisão

"Mandante do assassinado do casal de ambientalistas finalmente é condenado a 60 anos de prisão. Mas está desaparecido e o julgamento só aconteceu depois de o Ministério Público ter recorrido da primeira sentença que, inacreditavelmente, tinha o absolvido do crime."
José Rodrigues Moreira, o mandante do assassinato do casal de ambientalistas Zé Cláudio e Maria, foi condenado na terça-feira (6) a 60 anos de prisão. Mas, numa dessas tristes crônicas da impunidade brasileira, o criminoso sequer apareceu no tribunal. Foragido, só teve prisão preventiva decretada no ano passado – só depois de o Ministério Público ter recorrido da primeira sentença que, inacreditavelmente, diante de todas as provas e testemunhas, o havia inocentado.
José Claudio e sua companheira Maria do Espírito Santo foram assassinados em 2011. Ambientalistas, eles enfrentavam os grileiros e denunciavam o roubo de madeira na região de Marabá. Corajosamente, faziam registros em fotos das placas dos caminhões dos extrativistas ilegais, por exemplo, e foram responsáveis pelo fechamento de várias madeireiras ilegais. José Claudio estava em uma lista de ambientalistas ameaçados de morte na Amazônia desde 2008 e sua morte era anunciada publicamente.

Foi numa pinguela que dois pistoleiros emboscaram Zé Claudio e Maria e os mataram com tiros de escopeta. A orelha do ambientalista foi cortada para ser entregue, como prova do serviço, a Moreira, o mandante do crime.
Em 2013, o pistoleiro Lindonjonson Silva Rocha, irmão de Moreira, foi condenado a 42 anos de prisão. Fugiu da penitenciária Mariano Antunes, em Marabá, em novembro de 2015 e continua foragido. O outro assassino, Alberto Lopes, pegou 43 anos de cadeia e permanece preso. Ambos, claro, tentaram anular os julgamentos originais depois da absolvição do mandante em 2013, quando saiu livre do tribunal.

O Ministério Público apelou da decisão e, em 2014, o Tribunal de Justiça de Belém anulou o julgamento que o inocentou. Hoje, foi condenado pelo júri popular a 60 anos de prisão por duplo homicídio qualificado e por conduta violenta e um total desprezo com a dignidade humana. De acordo com o juiz, o condenado realizou o crime com culpabilidade fria, covarde e premeditada.

Diante de tantas violações de direitos, a decisão do julgamento foi um passo mínimo, porém fundamental para o fortalecimento da democracia e para o enfrentamento da impunidade.
“E o que que quero que toda as pessoas desse pais que foram injustiçadas e tiveram seus familiares mortos, não percam as esperanças, nunca, nenhum dia. Lutem por eles, lutem pelo que eles acreditavam. A gente não pode desistir, não podemos nos acovardar.”, Claudelice Santos, irmão do Zé Cláudio.

Da página do Facebook, Cartunistas contra o golpe: Os recentes acontecimentos políticos no Brasil.!

Por Ernani Cousandier
Por Jota Camelo

Por Latuff

Por Bira Dantas e Claudia Carezzato

Por Amorim
Por Edu Oliveira

Por Ricardo Bagge

Sergio Moro e Aécio Neves protagonizam a foto do ano

Sergio Moro, ídolo das manifestações “contra a corrupção” que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff, foi fotografo em uma situação constrangedora na noite desta terça-feira (6), em evento promovido pela revista IstoÉ.

O juiz da Lava Jato apareceu gargalhando ao lado do senador Aécio Neves (PSDB-MG), uma das figuras mais citadas por delatores na Operação chefiada por Moro.

A boa relação entre os dois chama a atenção por conta dos diferentes perfis públicos. Em geral, Moro busca transmitir em suas aparições e manifestações uma imagem austera, exemplar de como um funcionário público engajado no combate à corrupção deve se postar.

Ídolo de manifestantes contra a corrupção, em especial a corrupção do PT, Moro vem se tornando uma figura messiânica e, no último domingo, um manifestante chegou a classificá-lo de “segundo filho” de Deus. (Recentemente, a Lava Jato não quis ouvir o depoimento de Eike Batista sobre doações ao PSDB)

Aécio, ao contrário, é uma figura cuja imagem tem sido duramente afetada desde outubro de 2014, quando perdeu as eleições presidenciais para Dilma Rousseff. O tucano já foi citado por pelo menos cinco delatores diferentes da Lava Jato, entre eles o ex-senador Delcídio do Amaral; o doleiro Alberto Youssef; um de seus entregadores de dinheiro, Carlos Alexandre de Souza Rocha, o “Ceará” (ambos casos arquivados); do lobista Fernando Moura, ligado ao PT; e do ex-deputado do PP Pedro Corrêa.

Nos áudios gravados clandestinamente pelo ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, Aécio também aparece com destaque. “Aécio está com medo”, diz o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) a Machado sobre a delação de Delcídio.

Em um outro trecho das gravações, Machado conversa com o também senador Romero Jucá (PMDB-RR) e pergunta: “Quem não conhece o esquema do Aécio?”.

No prêmio da revista IstoÉ, Moro foi eleito o “Brasileiro do Ano na Justiça”. O prêmio principal da noite, de “Brasileiro do Ano” em todas as áreas, foi para Michel Temer.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

É um imbróglio danado!

É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo nesse país, que a gente fica cada vez mais tensos e temerosos. Desde o início da conspiração dos golpistas que levou o Temer ao poder, o país vive tempos sombrios e uma verdadeira baderna institucional. No meio desse imbróglio todo, o STF – que aliás deu condições para a construção do golpe que derrubou uma presidenta da República eleita democraticamente – esperou primeiro o todo bronqueado Cunha agir para aprovar o processo de impeachment na Câmara, e só depois disso, pediu a suspensão do exercício de seu mandato parlamentar e afastamento da presidência da casa, alegando que o então deputado usava o cargo para finalidades estranhas ao interesse da função. Até aí, Cunha era uma figura indispensável, que posteriormente veio a ser totalmente descartável. Alguém precisava dar o pontapé inicial nesse serviço sujo no Congresso Nacional, e nesse caso o Cunha veio bem a calhar. Logo após executar o serviço sujo, ele foi afastado das suas funções pela Corte, foi cassado por seus pares e finalmente foi preso. Agora, foi preciso que houvesse um mal-estar entre o judiciário e o legislativo, para que o STF decidisse tornar o também todo bronqueado Renan em réu por crime de peculato, e logo em seguida, pediu o seu “hipotético" afastamento da presidência do Senado. Mas, o Renan, figura indispensável na aprovação do pacote de maldades do ilegítimo governo Temer, bateu firme o pé e disse que ficava – e acabou ficando mesmo –, e inclusive seus pares compraram a briga dele, e contrariando a decisão hipotética que veio da Corte, o mantiveram no comando da casa, acirrando ainda mais os ânimos entre os poderes. Hipoteticamente, para acalmar os ânimos e retomar a normalidade na relação entre os poderes, o STF se reuniu e decidiu manter o Renan na presidência do Senado, mas ele não pode ocupar mais a linha sucessória presidencial. Junto com essa última decisão da Corte, também ficou no ar o recado para o Renan não mexer mais com o brio do judiciário e que a qualquer hora ele pode dar as cartas na política. Óbvio, que o Renan tinha que continuar, pelo menos nesse momento, para adiantar o serviço sujo. Tudo indica que assim que cumprido o seu papel, o Renan terá o mesmo destino do Cunha. A propósito, depois de desmontar o país, entregar nossas riquezas naturais e estratégicas, e cortar direitos e conquistas sociais do povo, é muito provável que o ilegítimo Temer também seja descartado. Há muito mais coisas obscuras a serem desencadeadas nesse universo dos golpistas. Ultimamente, nesse país sobra golpista para tudo quanto é lado, e todos estão sempre muito bem dispostos para defender seus interesses particulares. Pelo que temos visto, basta simplesmente que orgulhos sejam feridos e que interesses sejam afetados, para eles se degladiarem. E enquanto segue a baderna institucional em Brasília, o país só agoniza. É um imbróglio danado, que já devastou a democracia e agora trata de por fim a legitimidade das instituições do nosso país.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

É muita maldade com o povo brasileiro!

Vejamos:  

Na proposta de reforma da Previdência do Temer, para ter direito ao benefício integral, será necessário 49 anos de contribuição. 

Por exemplo, uma pessoa que começar a contribuir aos 22 anos de idade se aposentará aos 71 anos. 

Segundo dados do IBGE (2015) a axpectativa de vida dos brasileiros é de 75,2 anos. 

No Brasil as empresas costumam demitir quem está na faixa dos 50 anos de idade e quase nenhuma empresa contrata trabalhador nessa faixa etária. 

Levando em conta a dura realidade dos(as) trabalhadores(as) de nosso país, tire suas próprias conclusões, porque eu já acabei de tirar as minhas. 

E a conclusão que cheguei é a de que vamos todos morrer de tanto trabalhar. 

É muita maldade com o povo brasileiro! 

#FORATEMER

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Renan é afastado da presidência do Senado após tornar-se réu por peculato

"Ministro do STF acata pedido para tirar peemedebista da linha sucessória da Presidência após virar réu."

Renan Calheiros é réu no STF por peculato. (AFP)
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi afastado do cargo após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello acatar ação cautelar da Rede Sustentabilidade. A Rede entrou com pedido de afastamento de Renan nesta segunda-feira, alegando impedimento incontornável do peemedebista de se manter na liderança da Casa após ter virado réu no STF por crime de peculato. O pedido foi aceito nesta mesma segunda pelo ministro Marco Aurélio. A decisão precisa ser referendada pelo plenário da Corte, que ainda não marcou data para o julgamento.

Em sua ação, a Rede argumentou que Renan não pode mais permanecer na linha sucessória da Presidência da República. O senador Jorge Viana, do PT do Acre, assume a presidência do Senado por enquanto. O senador foi o principal alvo das manifestações deste domingo, quando milhares de pessoas foram às ruas em 18 Estados do Brasil para apoiar a Lava Jato e protestar contra as mudanças feitas pela Câmara no pacote anticorrupção. As manobras do senador para debater um projeto de abuso de autoridade em regime de urgência caiu como um soco de estômago para os brasileiros.

A decisão do Supremo gerou uma clima de tensão entre os senadores e no Governo Temer, às vésperas da votação da PEC 55, antiga PEC 241, que está prevista para ser votada no dia 13 no Senado. Uma reunião de emergência foi marcada no Palácio do Planalto para esta noite com o senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Eunício de Oliveira (PMDB-CE).

 
Na semana passada, a Suprema Corte acatou denúncia contra Renan por supostos pagamentos feitos por um lobista da empreiteira Mendes Júnior para a jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha de um caso extraconjugal. No período de dois anos (entre 2004 e 2006), o lobista teria entregue cerca de 1,9 milhão de reais para a jornalista a pedido do peemedebista em troca de favores no Legislativo. No decorrer das investigações, a Procuradoria Geral da República, que entrou com a denúncia contra Renan no Supremo, entendeu que os pagamentos eram feitos não pelo lobista, mas por meio de desvio de recursos de sua verba de gabinete.

Por oito votos a três, os magistrados da maior corte do Brasil concluíram que o senador deveria responder pelo crime de peculato – que é um delito no qual agentes públicos se beneficiam da função para apropriar-se de dinheiro ou bens. No caso, a investigação é sobre o desvio de verba indenizatória do Senado.

De acordo com a ação apresentada pela Rede nesta segunda, “com o recebimento da denúncia [pelo Supremo], passou a existir impedimento incontornável para a permanência do referido Senador na Presidência do Senado Federal, de acordo com a orientação já externada pela maioria dos ministros do STF”. Em sua decisão, o ministro Marco Aurélio destaca que “mesmo diante da maioria absoluta já formada na arguição de descumprimento de preceito fundamental e réu, o Senador continua na cadeira de Presidente do Senado, ensejando manifestações de toda ordem, a comprometerem a segurança jurídica”. Ainda cabe recurso à decisão do ministro.

No final do dia, Renan divulgou uma nota em que afirma que só irá se manifestar após conhecer oficialmente o “inteiro teor da liminar concedida monocraticamente por ministro do Supremo Tribunal Federal. O senador consultará seus advogados acerca das medidas adequadas em face da decisão contra o Senado Federal. O senador Renan Calheiros lembra que o Senado nunca foi ouvido na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental [mérito da ação cautelar da Rede] e o julgamento não se concluiu.” Renan, se for afastado em definitivo pelo plenário da Corte, ainda manteria o cargo de senador e portanto, foro privilegiado.

Outra ação da Rede começou a ser julgada no mês passado, mas foi interrompida por um pedido de vista do ministro Dias Toffoli. Seis ministros já haviam considerado que um parlamentar que é alvo de ação penal não pode ser presidente do Senado ou da Câmara. A legenda pede que o Supremo declare que réus não podem fazer parte da linha sucessória da Presidência.

Situação parecida com a de Renan viveu o ex-presidente da Câmara e ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) depois de virar réu em ação penal da Lava Jato. Em maio, a Rede entrou com uma ação no STF pedindo o afastamento de Cunha da presidência da Casa sob a mesma alegação de que réus em ações penais não podem estar na linha de sucessão da presidência. Três dias depois, o pedido foi julgado no plenário pelos 11 ministros da Corte, que referendaram uma liminar concedida no início da manhã do mesmo dia pelo ministro Teori Zavascki e afastaram Cunha por unanimidade. Em setembro, a Câmara cassou o mandato de Cunha por quebra de decoro parlamentar por 450 votos a favor, 10 contra e 9 abstenções.

A Rede argumentava também que o pedido de Renan precisava ser analisado com urgência, antes do recesso da Corte, a partir de 20 de dezembro. Caso contrário, o caso só seria definido após o fim do mandato de Renan, em 1º de fevereiro, quando termina também o recesso do STF.

A decisão deixa em alerta, ainda, o mundo político em Brasília que acompanha apavorada aos desenlaces da Lava Jato, que ainda deve fervilhar com as delações de mais de 70 executivos da Odebrecht assinadas na semana passada.

 

Leia a íntegra do pedido feito pela Rede:


A Rede Sustentabilidade ingressou, nesta segunda-feira, com uma ação cautelar junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o afastamento imediato do presidente do Senado Renan Calheiros, que se tornou réu após decisão do STF na semana passada. De acordo com a ação apresentada pela REDE, “com o recebimento da denúncia, passou a existir impedimento incontornável para a permanência do referido Senador na Presidência do Senado Federal, de acordo com a orientação já externada pela maioria dos ministros do STF”.

A medida cautelar tem como objetivo fazer a valer a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) impetrada pela REDE – sobre a qual seis dos onze ministros do STF consideraram procedente no dia 3 de novembro. O julgamento, no entanto, foi suspenso por um pedido de vistas do ministro Dias Toffoli.

Na votação da ADPF, o relator da ação no STF, ministro Marco Aurélio Mello, considerou procedente o processo. Acompanharam o voto os ministros Luiz Fachin, Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux e Celso de Mello.

A ADPF nº 402/2016 foi impetrada pela REDE no dia 3 de maio. Na avaliação da REDE, o fato de lideranças políticas ocuparem cargos que estejam na linha de sucessão presidencial quando são réus no STF fere o Artigo 86 da Constituição Federal. De acordo com o Parágrafo 1º, Inciso 1º desse artigo, o presidente da República será suspenso de suas atribuições nas infrações penais comuns caso o STF tenha recebido e acatado alguma denúncia ou queixa crime contra ele. O objetivo da REDE, desta forma, é o de preservar o princípio constitucional da isonomia, pois se o presidente não pode ser réu, quem está na sua linha sucessória também não pode estar nessa condição.


Eles são contra qualquer outra coisa que se possa pensar menos conta a corrupção!

E não é que os patriotas com seus típicos instrumentos de protestos (panelas, buzinas, camisas da CBF e faixas verde-amarelo) deram sinal de vida. Não é que nesse domingo os analfabetos políticos aliados a outros tantos reacionários e alguns inocentes teleguiados saíram às ruas. Impressionante, como tem uma certa gente nesse país que se presta a cada coisa ridícula. Inclusive, cheguei a ver algumas imagens das manifestações, cito por exemplo as que aconteceram em Belém, e não vi e nem ouvi nenhum "Fora Temer", nem um "Fora Jatene" e sequer um "Fora Zenaldo". Mas, eles afirmam categoricamente e a grande mídia faz questão de enaltecer de que trata-se de mais uma manifestação contra a corrupção. Isso só reforça as minhas conclusões de não passa de uma baita expressão de indignação seletiva e hipocrisia desmedida – que só vendo –, e que essas manifestações são qualquer outra coisa que se possa pensar menos conta a corrupção. Enquanto isso, o Brasil vai sendo desmontado, nossas riquezas naturais e estratégicas vão sendo entregues, um pacote de medidas impopulares e/ou de maldades (PEC 241 e 55) vai sendo aprovado, propostas de reformas (Ensino Médio, Trabalhista, Previdenciária) com pouca ou nenhuma ênfase na solução dos problemas do país vão sendo apresentadas, e ainda segue com gente defendendo escola sem pensamento crítico, intervenção militar e até abuso de autoridade. Mas, diante de tantos desmandos, do oportunismo barato e de interesses escusos como jantares luxuosos oferecidos para a base aliada, recorde de gastos com cartão corporativo, farra das viagens dos ministros nos aviões da FAB, tráfico de influencia no Palácio do Planalto, constantes envolvimentos em trapalhadas e escândalos, além de denuncias de corrupção que pairam sobre o governo ilegítimo do Temer, aí os patriotas com seus típicos instrumentos de protestos subitamente se calam e quanto a dar as caras nas ruas manifestando sua indignação por essas e outras coisas – É ruim, hein! – nem pensar. Percebe-se que há uma certa cumplicidade entre tais manifestantes que se dizem anticorrupção e o sempre poupado governo Temer, que inclusive chega a ser patética e moralmente vergonhosa.

Ayres Britto: Atos ilícitos de magistrados exigem demissão, não aposentadoria

Por Nivaldo Souza
Colaboração para o UOL, em São Paulo 
O ex-ministro e ex-presidente do STF Ayres Britto
O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto participou do julgamento de um juiz e três desembargadores como presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), função exercida por ele durante sete meses em 2012, quando também acumulou a chefia do STF.

Eles foram condenados à aposentadoria compulsória por assédio sexual, improbidade, negligência e peculato. Juntos, os quatro custam cerca de R$ 100 mil por mês aos cofres públicos e integram um seleto grupo de 48 magistrados, condenados pelo CNJ, cujos vencimentos chegam a R$ 16,4 milhões por ano. "É um valor que surpreende e desagrada, porque o ideal é apurar judicialmente os erros", afirma ao UOL.

Ayres Britto critica o fato de magistrados "faltosos" serem alvos apenas de processos administrativos conduzidos pelo CNJ, os quais têm como pena máxima a aposentadoria compulsória com salário proporcional ao tempo de serviço.

O ex-ministro avalia que a aposentadoria é válida em casos de erro administrativo. Já para crimes sugere que seja criado um gatilho para envio automático dos casos para a esfera judicial pelo Ministério Público como ação penal. Depois de emitida sentença transitada em julgado (quando não cabe mais recurso), Ayres Britto avalia que os magistrados devam ser demitidos sem direito a salário vitalício como acontece hoje. "É inconcebível um magistrado que age como um bandido", diz.

Ele defende a revisão da Loman (Lei Orgânica da Magistratura) para permitir a punição mais rigorosa. "Eu concordo com a regulação dessa matéria o quanto antes, porque há ilícitos de tal gravidade praticado por magistrados que exigem uma destituição, uma demissão, uma desinvestidura forçada do cargo e não uma aposentadoria proporcional ao tempo de serviço", avalia.

 

Predadores institucionais


Temer (ao centro) faz reunião com Cármen Lúcia e Renan Calheiros após pressão no Congresso para mudar lei que permite demissão de magistrado. (Marcos Corrêa/Presidência)

O tema já foi alvo de uma proposta de emenda constitucional (PEC 53/2011), aprovada pelo Senado Federal em 2013 e estacionada nas gavetas da Câmara dos Deputados. Mas o fim da aposentadoria compulsória de magistrados voltou à ordem do dia em outubro, quando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse ter pedido ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para "agilizar" a votação da PEC.

Renan defendeu a PEC como "uma medida fundamental de combate à corrupção e à impunidade, que acaba com a aposentadoria por juiz e membro do Ministério Público como prêmio por ter cometido crime de improbidade".

A declaração é parte de uma ofensiva de Renan contra o Judiciário, depois que Polícia Federal prendeu quatro policiais legislativos do Senado suspeitos de atrapalhar investigações da Operação Lava Jato. O líder do Senado é alvo de pelo menos 11 inquéritos no STF, sendo oito na Lava Jato.

Ayres Britto evita comentar a fala do presidente do Senado ou mesmo mencionar nomes, mas afirma que existem "predadores institucionais" tentando inverter os artigos da Constituição de 1988. "É preciso que as relações sejam institucionais e não personais", diz. "É preciso muito cuidado com o momento de exacerbação que estamos vivendo e buscar o equilíbrio entre as instituições."

O ex-presidente do Supremo diz que o artigo 93 da Constituição determina como atribuição do STF o encaminhamento ao Congresso de um projeto de lei regulamentando o Estatuto da Magistratura, em substituição à Loman. "O que for do regime jurídico central do magistrado é de figurar, nos termos da Constituição, numa lei de iniciativa privativa do próprio Supremo."

O contrário, de acordo com Ayres Britto, inverte os polos de responsabilidade entre os Poderes. "Tenho receio de que outras instâncias iniciem individualmente e inconstitucionalmente o processo Legislativo [de novas regras da magistratura]", afirma. "A matéria que por natureza deva fazer parte do Estatuto da Magistratura iniciada por outra instância de Poder pode vir a ser contestada [no STF], porque é inconstitucional", sugere.

Embora desde 2012 o STF tenha decidido que magistrados aposentados não têm direito a foro privilegiado, a condenação no CNJ não gera uma ação penal automaticamente. É preciso que o Ministério Público, um tribunal ou mesmo um cidadão acione a Justiça para investigar o magistrado fora do âmbito administrativo. No geral, os casos envolvendo juízes e desembargadores caem no esquecimento após sair do CNJ.

Na madrugada do dia 30, deputados federais aprovaram o texto-base do pacote de medidas anticorrupção proposto pelo Ministério Público. Com os novos tópicos apresentados e a derrubada de outros tantos, o projeto ficou desfigurado e foi criticado por várias instâncias do Judiciário, como a Procuradoria-Geral da República e a presidente do STF. Ele prevê punição a magistrados por abuso de autoridade.